Um refúgio japonês na Brigadeiro

March 14th, 2008

Por: fmafra

 

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Sempre tive um problema com pessoas que acreditam que comida japonesa=sushi. E que se forem ao Japão irão se esbaldar em um constante rodízio dessa iguaria. O que é na verdade uma grande bobagem.

Da mesma forma que não consumimos apenas feijoada com caipirinha, japoneses não vivem de sushi com saquê. Quando falamos “vamos comer um japa” automaticamente está inserido o sushi, e se no grupo há alguém que não gosta (ou não pode) comer peixe cru, a pessoa se limita a pedir um yakissoba ou no máximo dos máximos um tempurá. Muitos sequer sabem o que é guioza.

Pois bem, adoro explorar justamente outros aspectos da culinária nipônica, já que sushi eu já acho (literalmente) na esquina da minha casa. Um ótimo exemplo e ponto de partida é o teishoku do Restaurante Waka.

Localizado nos fundos de uma galeria na Brigadeiro, o Waka é um verdadeiro achado culinário em São Paulo. O cardápio fica na parede, um grande escrito em japonês, e um em português bem menor. Quem entra é recebido pela enigmática dona Maria com um enfático “ogenki desu ka” e/ou “konbanwa”. Mas não é preciso ler nenhum dos cardápios, basta perguntar o que tem de bom hoje.

A entrada do lugar nos faz sentir em uma cena de Blade Runner em Kyoto. Um longo balcão de madeira maciça separa os clientes de uma série de calendários peculiares, alguns dignos de oficinas mecânicas, enquanto que no segundo andar é possível sentar-se numa mesa sobre o tatame – coisa que em restaurantes como Nakombi é preciso reservar.

Há outros pratos além do teishoku, todos igualmente bem encorpados, que são ordenados à cozinha em uma mistura de japonês e português. Em minha última visita o teishoku saía por apenas 15 reais. Ele é básicamente um PF japonês, composto por:

  • Sashimi (geralmente de Atum)
  • Atum assado (feito pela própria casa, nada enlatado)
  • Sardinha na brasa ou Salmão assado
  • Bolinho de carne ou Frango empanado
  • Salada de conservas
  • Tofu
  • Misoshiru
  • Gohan

E ainda há chá verde (quente) à vontade. Pessoalmente prefiro o atum assado e o frango, e mal como a tal salada. Apesar do chá à vontade, é difícil ficar bebendo coisa quente com comida desse tipo, considerando que eles comem no café da manhã o mesmo que nas outras refeições acredito que os japoneses tenham dominado essa arte, eu não. O visual do lugar e a natureza da comida (ir pegando de vários pratinhos) convidam muito bem uma cerveja.

Para acompanhar, shoyu e um molho peculiar grosso, que lembra o teriyaki, mas com um toque diferente. Um detalhe que parece estar entrando em desuso nos restaurantes japoneses que freqüento é o paninho quente para limpar as mãos, que está presente aqui.

Além desse desbunde de comida e decoração pitoresca, dona Maria é uma atração à parte. Uma senhora descendente de japoneses (descobri que ela é de Ribeirão Preto), tem aquela personalidade forte que esperamos de bachans tradicionais misturada a uma curiosidade que a tornam ao mesmo tempo simpática e severa. Quieta em seu canto, ela espera o momento certo para entrar nas conversas dos clientes, nas diversas visitas que fiz ela já contou causos de suas viagens, de sua terra (Ribeirão Preto, não Japão) e já deu bronca em uma amiga minha por comer mal.

Se está cansado de restaurantes japoneses ultra-modernos e super assépticos, ou quer experimentar outras coisas além de sushi, Waka é o lugar para isso. Ah, não se assuste se for à noite e a galeria estiver fechada, basta tocar o interfone.

Endereço (mapa):
Av. Brigadeiro Luiz Antonio, 2050 – Loja 15
Tel: (11) 3191-0280

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