Arquivos por ‘artigo’ Categoria

A China se abre e o YouTube se fecha

Wednesday, August 6th, 2008

Beijing Olympics logo por

Semana passada comemorou-se a abertura do acesso à internet na China. Pela primeira vez diversos sites estão acessíveis na terra do Dragão. Mas ainda com restrições, teoricamente essa liberação é apenas para jornalistas (mas parece funcionar para alguns sortudos que estejam fisicamente próximos). E mesmo assim nem tudo está acessível.

Isso ocorreu por pura pressão. Mas sob olhos mais românticos pode parecer que a China sucumbiu ao espírito olímpico. Quando na verdade parece ser o oposto. Digo isso pois o Comitê Olímpico Internacional (COI) fechou um contrato com o YouTube onde se compromete a fornecer conteúdo oficial ao gigante dos vídeos online, a ser transmitido em um canal próprio.

A primeira vista parece ser uma ótima notícia. Mais não é. As condições para tal incluem:

1. O conteúdo só será disponibilizado nos países onde os direitos de transmissão televisiva não foram comprados exclusivamente. Ou seja, no Brasil não dá.

Se você achava que finalmente estava livre do Galvão Bueno e poderia ver os vídeos dos eventos sempre que e quando quisesse, se enganou. Como temos transmissão televisiva oficial, estamos de fora do canal olímpico do YouTube.

2.O YouTube poderá explorar comercialmente os vídeos através de propagandas. Mas apenas dos patrocinadores oficias das Olimpíadas.

A primeira vista isso soa como uma perda apenas para o YouTube/Google, mas os consumidores também dançam, pois suas opções diminuem. E ainda serão submetidos à mesma overdose de propagandas de sempre.

3.E pra fechar com chave de ouro: Vídeos das Olimpíadas gerados por usuários serão sistematicamente removidos do site.

Ou seja, assim como na China, cobertura só oficial. Ponto. Sem discussão. Nos priva do que a internet tem de mais interessante nos últimos tempos: o conteúdo criado por usuário. Timo Lumme, diretor de TV e marketing do COI ainda tem a cara de pau de dizer que “O espectador sempre prefere uma transmissão profissional do que um vídeo sem condições técnicas registrado por um telefone celular” – quem decide isso é o espectador, não o COI.

Mas não pensem que isso é novidade. O COI tem um controle forte de sua marca e das comunicações há muito tempo. Este será o primeiro evento (incluindo aí as Olimíadas de Verão, de Inverno, as Paraolímpiadas e o Pan) a permitir que os atletas bloguem, ainda limitados “a sua experiência olímpica pessoal”. Uma pequena vitória, mas ainda a ser posta à prova.

Várias instituições já foram processadas por usar quaisquer tipos de configuração de cinco anéis entrelaçados ou apenas pelo uso da palavra “Olimpíada” e derivados.

Para uma instituição que se propõe a promover o esporte, a integração e a competição saudável, o COI está se saindo bem controlador.

Paralelamente é curioso pensar também que o YouTube é um serviço do Google. Tenho a impressão de que há uma certa dissociação proposital dos dois nomes, mantendo assim a imagem do Google intacta perante o público em geral sempre que o YouTube se envolve em qualquer escândalo. Só não sei se o acordo se extende ao GoogleVideo.

Portanto, se você vai para a China, deixo abaixo uma lista de sites de publicação de vídeo que até onde eu sei não possuem qualquer contrato com o COI. Eles estão prontos para receber vídeos olímpicos:

Vimeo
Videolog
Metacafe

Veja o anúncio oficial no site do COI.

[UPDATE] A Wired postou um artigo Wiki (em inglês) com diversas opções de como acompanhar os jogos on-line e inclusive como burlar bloqueios regionais na internet.

Categorias artigo, notícias
Tags , , , , , , , , ,
2 Comments »

Robô recita o primeiro romance da história

Sunday, August 3rd, 2008

Contos de Genji (源氏物語, Genji Monogatari) é uma obra literária japonesa do período Heian (por volta do século XI). Embora o status de primeiro romance do mundo seja questionado, é sem sombra de dúvida uma das obras mais importantes da literatura tanto do Japão quanto mundial.

Genji foi escrito por Murasaki Shikibu (um pseudônimo) para a apreciação de damas da aristocracia. Conta a história de uma corte com cerca de 400 personagens ao longo de vários anos, sem uma trama fechada, mas mostrando a evolução desses personagens no decorrer do tempo.

A grande novidade para os falantes de japonês é que agora é possível ouvir os Contos de Genji da própria Murasaki, ou quase. Um robô inspirado nela foi contruído e recita trechos do romance através de arquivos de mp3, além de fazer diversas poses inspiradas no período da autora. Veja o vídeo abaixo, e repare no leque:

Veja mais sobre o robô aqui.

Via Tokyomango.

Categorias artigo
Tags , , , , ,
No Comments »

Sapporo Diet Water

Sunday, July 20th, 2008

Andei vendo por aí a foto de umas garrafas de Diet Water da Sapporo (a mesma marca da cerveja). Sabendo que os japoneses gostam de produtos inusitados mas não são retardados resolvi caçar a fonte disso. Até que no Diet Blog encontrei o link direto para o produto no site da Sapporo.

Se alguém que fala japonês de verdade puder confirmar, me parece que a idéia desse produto não é a mesma de outros produtos Diet/Light; que têm a promessa de não adicionar gordisse na sua vida. Ele seria uma bebida que ajuda você a emagrecer, graças a alguns nutrientes embutidos na fórmula.


Se você não gosta da Sapporo, tem essa outra marca também.

Agora, se isso realmente ajuda ou não, é outra coisa. Mas isso não estaria longe da promessa de milhares de produtos e dietas por aí. Ou você realmente acha que a Coca Light que você bebe pra descer aquela feijoada vai ajudar?

Categorias artigo, dicas, drops
Tags , , , , , , , ,
No Comments »

100 anos de mães japonesas no Brasil

Sunday, May 11th, 2008

Como Franklin Ruão, já fui tocado não só pela cultura, mas pelas incríveis pessoas de natureza japonesa que cruzaram minha vida. Algumas se fazem presentes, outras se perderam no passado, mas muitas deixaram sua marca. Aproveitando essa data comemorativa deixo aqui uma singela homenagem, que não consegue sequer arranhar a superfície da complexidade, a um grupo especial:


Quando pequeno tinha um vizinho que falava um português cheio de sotaque japonês, já que ele era de uma primeira geração de imigrantes no país[bb]. Que me lembre fui convidado à sua casa apenas uma vez, e não lembro nada de sua mãe. Severa? Doce? Passiva? Difícil saber qual desses estereótipos usados para descrever as mães japonesas possivelmente se encaixaria nela.

Desde então tive a oportunidade de cruzar com toda a sorte de mães e avós japonesas, considerando ai isseis, nisseis e sanseis. Algumas conheci pouco, outras muito bem. Entre elas há as que desconfiam de mim, as super simpáticas, as que me detestam e as que me tratam como um membro da família. Tal qual como qualquer mãe com que cruzei.

Mas o que torna as mães japonesas no Brasil diferente das demais? O mesmo que qualquer mãe imigrante ou filha de imigrantes: O choque cultural. Imagine o mundo como você o conhece deixado para trás e ter que se adaptar a um lugar novo, desconhecido onde sequer os outros falam sua língua; ou ter culturas completamente separadas dentro e fora de casa. Ao mesmo tempo ter que pensar em sua família, seu marido, filhos e como satisfazer as próprias aspirações.

O que passar adiante para os filhos? Valores da terra-mãe ou liberar geral? As mães da minha geração (leia-se mães de meus amigos) são de uma fase transitória. Muitas delas tinham que saber lidar com o aprendizado dentro e fora de casa, influências de mundos diferentes, o saudosismo e esperanças dos pais com relação a suas culturas e as novidades de um mundo em constante mudança.

Filhas que agora são mães, elas possuem dupla experiência em todos os quesitos. A questão da manutenção de valores me parece muito mais ligada ao momento histórico e idade do que posição na escala migratória estabelecida (isseis para nascidos no Japão, nisses para os seus filhos e sanseis para seus netos).

Entre as avós, sejam isseis ou nisseis, as que romperam barreiras e casaram-se com Gaijins contam-se nos dedos. Suas filhas já foram mais ousadas, algumas com o apoio da família, outras até mesmo cortando relações, tudo em nome do amor. Já as netas vivem uma outra realidade, a cultura japonesa está estabelecida aqui. Os valores passam adiante com olhos rasgados ou apenas levemente puxados.

Algumas dessas mães têm apenas nomes japoneses, e para facilitar a interação com o país adotaram nomes brasileiros sem registros oficiais. Depois os filhos passaram a ser batizados com nomes brasileiros e japoneses, e hoje, alguns carregam apenas nomes tupiniquins. Isso não é diluição, é integração.

Independente da forma que isso toma, o comportamento das mães japonesas tem a mesma raiz: Zelo. Um zelo por seus filhos e a esperança de que eles irão levar adiante o melhor que a terra-mãe tem a oferecer, algo que vai além do sangue nas veias e dos olhos puxados. A vontade de que seus descendentes não sejam apenas japoneses, coreanos, chineses ou brasileiros, mas que sejam como elas, pessoas incríveis.

Categorias artigo
Tags , , , , , ,
2 Comments »

Bicicletando

Friday, April 25th, 2008

Quem usa bicicleta[bb] como meio de transporte no Brasil, pelo menos em São Paulo, tem que amarrar a magrela no poste por falta de um lugar descente. Enquanto isso no Japão…

Via Pristina.org

Categorias artigo
Tags , , , , , ,
No Comments »

Por uma Ásia mais verde

Tuesday, April 22nd, 2008

Nesse dia da Terra, aproveitamos pra entrar no assunto já que o Greenpeace está com duas campanhas com um interesse orientalista. Primeiro vamos chamar atenção para o pouco conhecido problema da devastaçao das florestas da indonésia por parte de produtores de Oleo de Palmito, ingrediente vital para os produtos Dove (da gigante Unilever). Há uma carta aberta disponível para assinatura no site pedindo à Dove que pare de usar esses fornecedores.

A outra campanha faz um trocadilho com a marca “Canon” e seu significado em inglês, “canhão”, dizendo que é melhor atirar em baleias com um canhão do que com um arpão. E conclama os internautas a fazerem um pedido ao CEO da Canon. Uma empresa japonesa que se atrela à causas ambientais e desde 1981 mantém uma campanha nesse sentido na National Geographic. Eles pedem que a empresa assuma de vez sua posição como defensora da natureza e tome uma atitude prática. A matança de baleias é subsidiada pelo governo japonês sob o pretesto de pesquisa científica, mas há acusações de que isso é apenas uma desculpa para satisfazer as estravagâncias de uma elite.

O que eu gostei nas duas campanhas é que elas não apenas gritam “façam isso”, mas explicam os motivos para fazer. E toma a atitude madura de não clamar por um boicote aos produtos japoneses ou da Unilever. Pedem que os consumidores, ou não, façam um pedido genuino de ação, os une em uma única grande voz, e apresenta-a aos devidos ouvidos.

Categorias artigo, notícias
Tags , , , , , , , , ,
No Comments »

Duas fotos, dois países, uma idéia

Wednesday, April 16th, 2008

Todos estão falando da China. Seja por causa das Olimpíadas em si, seja por causa dos protestos pró-Tibete. E nada está se falando sobre Mianmar (ou Burma). A moda entre os chineses agora é colocar a frase “eu amo a china” junto de seus nicks na internet (infelizmente vi isso em um feed hoje mais cedo e perdi o link, vocês terão que acreditar em mim).

Se vocês se lembram, ano passado houve uma onda de protestos pró-democracia na pequena ex colônia britânica. Sucintamente falando o pais é controlado por uma junta militar opressora que cuida de deixá-lo economicamente aleijado enquanto reprime a liberdade de seu povo.

Forçando ainda mais a memória, em 1989 houve um famoso protesto na Praça da “Paz” Celestial em Pequim, quando a famosíssima imagem ao lado foi feita. Pouco ou nada se sabe a respeito do “rebelde anônimo” que ali aparece, existem vários mitos e especulações. Mas essa foto e o vídeo correspondente ressoam pelo mundo até hoje. É com certeza uma das imagens mais fortes que já vi na minha curta vida. Sempre imagino o quão puto da vida o sujeito deveria estar para fazer algo assim, é de arrepiar. A foto levou um World Press Award e o Rebelde Anônimo foi listado como uma das 100 pessoas mais influentes do século 20 pela TIME.

Voltando a Mianmar, durante os protestos obviamente havia cobertura jornalística. Em um dos confrontos com as autoridades o jornalista japones Kenji Nagai foi mortalmente ferido por uma bala. Mas isso não o impediu de continuar registrando o que estava acontecendo, ou ao menos tentar. E esse momento também foi registrado, por Adrees Latif da Reuters, e levou o Pulitzer por isso. Lembro agora daquela fala de Perry White no filme Superman Returns: “Ninguém lembra porque você ganha um Pulitzer. Só que você ganhou”, o que no caso dessa foto é mesmo uma pena, pois parece que todos já esqueceram.

UPDATE: Para saber sobre as mensagens de “love China”que os chineses estão usando na web, clique aqui.

Categorias artigo, notícias
Tags , , , , , , ,
No Comments »

O Ovo de 100 Anos

Tuesday, April 15th, 2008

Um elemento da culinária oriental pouco difundido aqui no ocidente é o Ovo de Cem Anos, também conhecido por alguns como Ovo Centenário, ou mesmo Ovo de Mil Anos. Trata-se de um ovo comum, submetido a processos que alteram o pH do ovo, tornando-o mais alcalino. O resultado é um ovo com uma clara que lembra âmbar e uma gema verde-acinzentada, com um odor extremamente forte. Embora possa não parecer convidativo para muitos, esse ovo é considerado uma iguaria em certas partes da Ásia, sobretudo na China.

O Ovo de Cem Anos existe existe há muito tempo, e conta-se que ele foi criado quando alguém enterrou seus ovos na terra para preserva-los, como era costume na época. Nesse caso, a terra em questão era muito alcalina, o que levou ao processo de transformação. Com o tempo, a técnica foi se aprimorando e chegou-se numa mistura de diversos ingredientes, dentre os quais os mais notórios são argila, cal e sal. O ovo fica envolto nessa mistura de alguma semanas a vários meses, o que pode resultar em sabores mais ou menos fortes. Embora essa técnica tradicional ainda seja amplamente utilizada, muitos ovos passam por processos mais industriais que geram resultados próximos à técnica artesanal, porém com sabores e odores mais fracos.

Podem ser utilizados ovos de ganso, pato, galinha ou codorna para o preparo, e eles são consumidos das mais diversas maneiras. Podem ser servidos separadamente ou como partes de pratos mais elaborados. São usados no dia-a-dia mas também fazem parte de arranjos gastronômicos para ocasiões especiais, até devido às cores curiosas que são encontradas nesses ovos. Embora o Ovo de Cem Anos esteja muito associado à China, que é o maior produtor do Ovo e seu pais de origem, ele é consumido em diversos outros paises asiáticos, como a Tailândia.

Se você se interessou em experimentar, poderá encontrar Ovos de Cem Anos em algumas lojas no bairro da Liberdade, em São Paulo. Eu provei um desses ovos e não achei tão forte quanto dizem, na verdade achei até um pouco sem graça, provavelmente por se tratar de um desses ovos industrializados. Eu fiz um vídeo acompanhando essa experiência, e estamos disponibilizando-o aqui como um videocast para quem estiver curioso.


O ovo que eu comi, antes e depois de aberto.

 
icon for podpress  Ovo de 100 Anos: Play Now | Play in Popup | Download (398)
Categorias artigo, podcast
Tags , , ,
3 Comments »

Mais china

Monday, April 7th, 2008

Tenho pensado como que sempre que falo da China é alguma cutucada ou reclamação. Mas não consigo evitar. Não dá pra fechar os olhos e achar que tudo é feito de açucar e flores. A contribuição da civilização chinesa para a cultura e tecnologia do mundo é inestimável, talvez imensurável. Mas para onde o governo está levando isso? Confiram Marcelo Taz em grande estilo tentando comunicar-se com o povo comum chinês em Pequim:

Categorias artigo
Tags , , , , ,
No Comments »

A beleza está nos detalhes

Friday, April 4th, 2008

Enquanto no Brasil nos contentamos apenas com o Jotalhão em latas de extrato de tomate, basta uma rápida passada em mercearias orientais para ver diversos personagens estampados nos produtos mais mundanos possíveis, a Hello Kitty surge até em reles temperos para arroz.

Isso é um reflexo da inventividade japonesa, que consegue colocar diversão e beleza nas coisas mais simples. Um ótimo exemplo é a D-Barcode, responsável pelo embelezamento de códigos de barras em vários produtos japoneses. Veja alguns exemplos funcionais:

Via Make Magazine e Dark Roasted Blend.

Categorias artigo
Tags , , , , ,
No Comments »