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Quem não tem inu caça com neko

Tuesday, June 24th, 2008

Infelizmente não pude comparecer às festividades de Sábado no anhembi. Não fui um dos contemplados com ingresso e o credenciamento foi encerrado antes sequer de eu tentar essa manobra. Então acabei chupando o dedo.

Pessoalmente o evento máximo seria a apresentação de taiko, que ao julgar pelo vídeo abaixo foi mesmo sensacional. Se você também perdeu esse momento, ou quer relembrar, uma alma caridosa postou no YouTube:

Ainda para afogar a mágoa comprei duas revistas especiais do centenário. Um intitulada simplesmente “100 anos da Imigração Japonesa no brasil”[bb] da Editora Abril e uma edição especial da Made In Japan bilíngüe. Ambas mostram contam a história da imigração e como a cultura do japão achou espaço aqui no Brasil. A Made in Japan é bem didática, começando com um discurso do imperador Akihito, ela tem uma ótima linha do tempo mostrando alguns pontos chave da história dos dois países, incluindo os momentos turbulentos. O foco é a lista de elementos da cultura japonesa que estão vivos hoje no Brasil; com depoimentos de adeptos nikkeys e gaijins dos mais diversos aspectos – englobando artes marciais, ikebana, chado, religião e etc. Já a edição da Abril tem um acabamento mais caprichado e um texto introdutório bastante interessante, que dependendo do ponto de vista pode jogar um balde de água fria nos ocidentais, ou mesmo nikkeys, que abraçam a cultura japonesa (ou qualquer cultura que tenhamos importado), discutindo que o que é praticado aqui não é cultura japonesa, mas sim cultura brasileira “ajaponeizada”. O ponto alto fica por conta de um percurso de 24h pelo Brasil mostrando como a cultura nipônica está presente no dia a dia de diversas pessoas. Aliás, o site da Abril dedicado ao centenário tem um conteúdo bem interessante, altamente recomendado. Ainda, realizei um breve passeio fotográfico noturno pelas ruas da Liberdade, devidamente decoradas para o centenário. Disponível no flickr.

www.flickr.com

[UPDATE] O videocast com a MeninaQueJoga está sofrendo problemas técnicos e tive que retirar o vídeo. Espero conseguir normalizar a situação até amanhã. Contamos com sua compreensão. Grato, a gerência.

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j-rock!

Monday, April 21st, 2008


Saiu mais um OrientalizeCast, agora apresentando artistas de J-Rock. Pra quem não conhece esse estilo musical fenomenal é uma ótima introdução. Pareço mais sério do que na vida real, mas ficar falando bobagem sozinho é meio estranho.

Os artistas apresentados são Asian Kung Fu Generation, Judy & Mary, Yuki, Mean Machine, Seagull Screaming Kiss Her Kiss Her e Puffy[bb]. Cuspo algumas informações e apresento trechos de algumas músicas pra dar um gostinho.

 
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Além do cast, cacei no YouTube alguns clipes das bandas apresentadas. Não consegui tudo, mas já dá pra se divertir. Repare como o vocalista do Asian Kung Fu Generation é nerd, praticamente um Rivers Cuomo[bb] japonês. E o detalhe da pena de pavão na sombrancelha da Yuki é genial. Atenção às crianças: O clipe da Yuki é altamente sensual e foi “flagueado” pelos convservadores usuários do YouTube como impróprio para menores.

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O Ovo de 100 Anos

Tuesday, April 15th, 2008

Um elemento da culinária oriental pouco difundido aqui no ocidente é o Ovo de Cem Anos, também conhecido por alguns como Ovo Centenário, ou mesmo Ovo de Mil Anos. Trata-se de um ovo comum, submetido a processos que alteram o pH do ovo, tornando-o mais alcalino. O resultado é um ovo com uma clara que lembra âmbar e uma gema verde-acinzentada, com um odor extremamente forte. Embora possa não parecer convidativo para muitos, esse ovo é considerado uma iguaria em certas partes da Ásia, sobretudo na China.

O Ovo de Cem Anos existe existe há muito tempo, e conta-se que ele foi criado quando alguém enterrou seus ovos na terra para preserva-los, como era costume na época. Nesse caso, a terra em questão era muito alcalina, o que levou ao processo de transformação. Com o tempo, a técnica foi se aprimorando e chegou-se numa mistura de diversos ingredientes, dentre os quais os mais notórios são argila, cal e sal. O ovo fica envolto nessa mistura de alguma semanas a vários meses, o que pode resultar em sabores mais ou menos fortes. Embora essa técnica tradicional ainda seja amplamente utilizada, muitos ovos passam por processos mais industriais que geram resultados próximos à técnica artesanal, porém com sabores e odores mais fracos.

Podem ser utilizados ovos de ganso, pato, galinha ou codorna para o preparo, e eles são consumidos das mais diversas maneiras. Podem ser servidos separadamente ou como partes de pratos mais elaborados. São usados no dia-a-dia mas também fazem parte de arranjos gastronômicos para ocasiões especiais, até devido às cores curiosas que são encontradas nesses ovos. Embora o Ovo de Cem Anos esteja muito associado à China, que é o maior produtor do Ovo e seu pais de origem, ele é consumido em diversos outros paises asiáticos, como a Tailândia.

Se você se interessou em experimentar, poderá encontrar Ovos de Cem Anos em algumas lojas no bairro da Liberdade, em São Paulo. Eu provei um desses ovos e não achei tão forte quanto dizem, na verdade achei até um pouco sem graça, provavelmente por se tratar de um desses ovos industrializados. Eu fiz um vídeo acompanhando essa experiência, e estamos disponibilizando-o aqui como um videocast para quem estiver curioso.


O ovo que eu comi, antes e depois de aberto.

 
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Ajinomoto, o quinto e misterioso sabor

Monday, March 17th, 2008


Sou a única pessoa da minha casa que realmente aprecia o uso de Aji-no-moto. E demorou até que eu entendesse a magia por trás desse “realçador de sabor”. Não o uso compulsivamente, mas sou o responsável óbvio pela circulação do produto em meu lar, experimentando-o em carnes, arroz, feijão, legumes, pipoca e tudo o mais que der vontade.

photo by shibainu

O que é Aji-no-moto?
Com um sabor teoricamente indefinível, a Ajinomoto já marquetou seu produto como “o quinto sabor”, aquele que não é doce, azedo, amargo ou salgado, é simplesmente Aji-no-moto. Realisticamente falando ele é claramente um salgado adocicado um pouco azedinho. Mas afinal, o que é Aji-no-moto?

É na verdade o nome de marca de um composto químico chamado Glutamato Monossódico, um realçador de sabor produzido por diversas companhias, dentre as quais Ajinomoto é a líder. E é preciso diferenciar a marca Ajinomoto – uma companhia multi-setorizada responsável por outros produtos como Hondashi, Sazon, Mid-Sugar e FIT – do produto Aji-no-moto, o já mencionado realçador de sabor.

Umami (旨み – em japonês) ou xiānwèi (鮮味 – em chinês) seria o nome desse quinto sabor, que significa surpreendentemente “saboroso”. O umami foi isolado no Glutamato Monossódico a parti de algas e daí surgiu o produto e a companhia Ajinomoto. Presente no mundo todo, no Brasil o glutamato é derivado de cana-de-açucar, mas a companhia já enfrentou controvérsias quanto a fabricação do produto na Indonésia (de maioria muçulmana) quando descobriu-se que uma enzima suína era usada no processo. Para nós reles consumidores fica difícil saber o quanto confiar quando na embalagem o único ingrediente listado é o Glutamato Monossódico.

Questão de Saúde
Essa não é a única controvérsia em torno do Glutamato Monossódico, que já atraiu a atenção de agências reguladoras nos EUA, Europa e Austrália. A mais importante delas é a chamada “Síndrome do Restaurante Chinês”.

Em 1968, um artigo no New England Journal of Medicine por Ho Man Kwok apontava certos sintomas após o consumo de comida chinesa, entre eles: Dormência na nuca irradiando para ambos os braços e para as costas, fraqueza generalizada e palpitações. Eles duravam até duas horas depois do consumo de pratos chineses, em especial culinária do norte da China. Aparentemente isso criou um certo susto na época, manchando a reputação da culinária chinesa, mas nenhuma pesquisa foi capaz de encontrar tais sintomas ou outros efeitos colaterais em uma parcela significativa da população.

Apesar desses sustos e outras lendas urbanas acerca de efeitos colaterais por consumo de Aji-no-moto, é um alimento perfeitamente seguro consumido por japoneses e brasileiros há muito tempo. Na verdade, você ficaria surpreso em saber a quantidade de alimentos que consumimos que possuem Glutamato Monossódico, na forma natural ou isolado industrialmente. Eis aqui alguns exemplos:

  • Sopas enlatadas (como as famosas Campbell)
  • Tempero de macarrão instantâneo
  • Salgadinhos industrializados (inclusive aquele novo molho “Dippas” da Elma Chips)
  • Algas Marinhas
  • Cana de Açucar
  • Diversas frutas

E obviamente, muitos outros produtos da companhia Ajinomoto, expecialmente os temperos, levam glutamato na composição.

Entretanto determinados indivíduos podem apresentar sintomas da Sindrome do Restaurante Chinês e devem estar atentos se têm alguma reação adversa ao consumo de Glutamato Monossódico. Da mesma maneira que todos devemos prestar atenção se somos alérgicos a camarão.

Consultei um Bioquímico e uma Farmacóloga que preferem permanecer anônimos e me informaram que as informações disponíveis sobre o assunto na internet são confiáveis e suficientes. Não há estudos que apontem qualquer efeito grave causado pelo consumo de Glutamato Monossódico. Também entrei em contato com o SAC da Ajinomoto e disponibilizei o áudio em nosso primeiro OrientalizeCast (veja lá em cima), cordialmente substitui o tempo de espera pelo som de gongos.

Diversão?

Mas não estamos aqui só para encher a pança, mas também usar a cabeça e nos divertirmos. Pois existe um jogo da Ajinomoto! Chama-se Motoko-chan no Wonder Kitchen, lançado para o Super Famicon / Super Nintendo. Eu esperava algo no estilo Cooking Mama, o jogo que plantou minha paixão definitiva pelo Nintendo DS. Mas não, devo dizer que é uma chatisse, ainda mais para quem não lê japonês como eu.

Você começa numa bizarra cozinha, onde pimentas (?) se transformam em gnomos ladrões de legumes; e ao entrar no armário é transportado ao quarto de uma bruxa, com a qual joga um estranho jogo-da-velha avançado e depois rouba sua vassoura. Além disso, no congelador você vai parar em um navio pirata, que te dá uma lição sobre a história da maionese e te leva até uma estranha ilha, ponto no qual eu simplesmente desisti de jogar.

O jogo na verdade foi criado para promover a maionese da Ajinomoto, que é o personagem/ingrediente principal da história. Se quiser se aventurar, você pode encontrar o ROM para Super Nintendo aqui. Para os medrosos (ou pessoas de bom senso) alguns screencaps:

Motoko-chan no Wonder KitchenMotoko-chan no Wonder Kitchen
Motoko-chan no Wonder KitchenMotoko-chan no Wonder Kitchen

Realce o sabor

Apesar da aversão de alguns, e dos tolos boatos de insalubridade, ainda aprecio aji-no-moto e pretendo continuar usando-o em minha alimentação. Mesmo que decidisse não mais consumir, teria um sério problema já que ele é encontrado em inúmeros produtos orientais ou não e com certeza é utilizado por chefs de culinária asiática.

Fontes
Yahoo! Perguntas (teorias da conspiração sobre o produto)
Yahoo! Perguntas (mais teorias da conspiração)
Site Oficial Ajinomoto
Wikipedia: Glutamic Aci (Inglês)
Wikipedia: Glutamato Monossódico (Inglês)
Wikipedia: Ajinomoto (Inglês)

Wikipédia: Sal

Este artigo faz parte da Blogagem Inédita organizada pelo InterNey.

 
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