Vítimas “brasileiras” das bombas indenizadas

Friday, August 1st, 2008

foto: Hirotsugu Mori
Domo da Bomba Atômica (à esquerda) nos dias de hoje.

Duas vítimas das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki residentes no Brasil irão receber indenização do governo japonês. Até então era preciso ir ao Japão para receber tais indenizações, mas mesmo com ajuda financeira do governo, muitas das vítimas e seus decendentes que vivem em outros países não tem condições físicas de fazer a viagem.

Uma lei promulgada em julho aboliu essa exigência. Baseada nisso, ontem a Corte de Hiroshima ordenou o governo que pague 1,65 milhão de ienes (US$ 15.262) aos parentes das duas vítimas que vieram ao Brasil. Um homem e uma mulher, que não tiveram os nomes oficialmente revelados, morreram em 2006 e 2007.

Para saber mais sobre as bombas, visite a Wikipedia.

Via Folha e Estado. Dica da twitter @rmiya.

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Ruth Corrêa Leite, pesquisadora da imigração

Wednesday, June 25th, 2008

Quem viu as imagens do príncipe Naruhito na Sala São Paulo ao lado de Ruth e Fernando Henrique Cardoso se engana quem pensa que Ruth era acompanhante do convidado Fernando Henrique. Muito pelo contrário.

Acessando o site da Fundação Japão sobre o Centenário da Imigração[bb], o primeiro livro listado como bibliografia básica é: “Estrutura familiar e mobilidade social: Estudo dos japoneses no Estado de São Paulo.” de autoria da ex-primeira dama.

Baseado na tese de doutorado de 1972 da ex-primeira dama, o livro trata da estrutura familiar dos imigrantes, como isso influenciou a ocupação do estado por eles e o desenvolvimento da noção de colônia. Essa tese cimentou Ruth como uma das pioneiras e referência na pesquisa sobre a imigração japonesa no Brasil.

Assim, foi Fernando Henrique[bb] que estava acompanhando a ilustre convidada na presença de sua alteza. Mais um ponto alto da carreira acadêmica de nossa falecida primeira dama. Saiba mais em uma entrevista com Ruth sobre no site do jornal Nippo-Brasil.

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Quem não tem inu caça com neko

Tuesday, June 24th, 2008

Infelizmente não pude comparecer às festividades de Sábado no anhembi. Não fui um dos contemplados com ingresso e o credenciamento foi encerrado antes sequer de eu tentar essa manobra. Então acabei chupando o dedo.

Pessoalmente o evento máximo seria a apresentação de taiko, que ao julgar pelo vídeo abaixo foi mesmo sensacional. Se você também perdeu esse momento, ou quer relembrar, uma alma caridosa postou no YouTube:

Ainda para afogar a mágoa comprei duas revistas especiais do centenário. Um intitulada simplesmente “100 anos da Imigração Japonesa no brasil”[bb] da Editora Abril e uma edição especial da Made In Japan bilíngüe. Ambas mostram contam a história da imigração e como a cultura do japão achou espaço aqui no Brasil. A Made in Japan é bem didática, começando com um discurso do imperador Akihito, ela tem uma ótima linha do tempo mostrando alguns pontos chave da história dos dois países, incluindo os momentos turbulentos. O foco é a lista de elementos da cultura japonesa que estão vivos hoje no Brasil; com depoimentos de adeptos nikkeys e gaijins dos mais diversos aspectos – englobando artes marciais, ikebana, chado, religião e etc. Já a edição da Abril tem um acabamento mais caprichado e um texto introdutório bastante interessante, que dependendo do ponto de vista pode jogar um balde de água fria nos ocidentais, ou mesmo nikkeys, que abraçam a cultura japonesa (ou qualquer cultura que tenhamos importado), discutindo que o que é praticado aqui não é cultura japonesa, mas sim cultura brasileira “ajaponeizada”. O ponto alto fica por conta de um percurso de 24h pelo Brasil mostrando como a cultura nipônica está presente no dia a dia de diversas pessoas. Aliás, o site da Abril dedicado ao centenário tem um conteúdo bem interessante, altamente recomendado. Ainda, realizei um breve passeio fotográfico noturno pelas ruas da Liberdade, devidamente decoradas para o centenário. Disponível no flickr.

www.flickr.com

[UPDATE] O videocast com a MeninaQueJoga está sofrendo problemas técnicos e tive que retirar o vídeo. Espero conseguir normalizar a situação até amanhã. Contamos com sua compreensão. Grato, a gerência.

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Começou!

Saturday, June 14th, 2008

foto por Renata Miyagusku

Estive hoje na Semana Cultural Brasil-Japão no Anhembi. Ao entrar há uma quebra sensorial por corredores coberto de pano branco e carpete, e depois um novo mundo se abre. Exposições de origamis[bb] inspirado em carnaval, stands da Hello Kitty, da Rádio Banzai, diversas pipas e pôsteres de anime estão logo de cara depois desse transporte.

Além disso, há o stand da NEC, a fabricante do robô misterioso, o Papero. Com o qual é possível interagir em horários específicos. Infelizmente em minha visita, por algum misterioso motivo apenas as crianças puderam brincar com o simpático robô. No caso ele falava e compreendia apenas japonês[bb], com alguns comandos e brincadeiras em portugues (incluindo “pedala robinho”). Mesmo assim, algo interessante não só pela tecnologia mas também pelas reações das crianças.

Do lado de fora, uma praça de alimentação composta de um único restaurante e uma lanchonete. Bastante confusos por sinal. Os ingredientes iam acabando conforme você esperava o seu pedido, e um sashimi[bb] de peixes variados acabou se tornando apenas salmão. Depois disso na lanchonete a queda de fases na energia inutilizou as máquinas de espresso.

Um tatame serviu de palco para uma inserção de Marcos Canuto para o SPTV e depois para uma apresentação de Kendo e Bodo. A qual era possivel assistir em pufes prateados em forma de nuvem. Ao final o público foi convidado a dar umas espadadas na cabeça dos bem protegidos praticantes dessa belíssima arte marcial. Além disso há uma casa de chá onde ocorre a cerimônia, mas não tive a oportunidade de testemunhar. Além do chá, perdi a apresentação de Taiko e a de Aikido, infelizmente. Mas em compensação a exposição de bonecas no mezanino é bastante impressionante.

O público estava na medida certa, muitas famílias, nenhum grupo de amigos barulhentos e um número bem equilibrado de pessoas. Além das atrações mencionadas há várias outras espalhadas em diversas salas e stands. Há que ter tempo para ver tudo.

O evento peca pela parca sinalização e a distância do estacionamento oficial, que com certeza ficará disputado quando a feria têxtil programada para essa semana começar. Há também o problema da bizarra trilha sonora escolhida para a área externa, que de japonesa não tem nada além de ser ruim de doer, melhor tomar uma espadada na cabeça.

Serviço:
Semana Cultural Brasil-Japão
Data: 14 a 22 de junho de 2008, de 9h às 21h
Local: Centro de Convenções do Anhembi e Auditório Elis Regina / São Paulo
Av. Olavo Fontoura, 1209
Entrada gratuita

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100 anos de mães japonesas no Brasil

Sunday, May 11th, 2008

Como Franklin Ruão, já fui tocado não só pela cultura, mas pelas incríveis pessoas de natureza japonesa que cruzaram minha vida. Algumas se fazem presentes, outras se perderam no passado, mas muitas deixaram sua marca. Aproveitando essa data comemorativa deixo aqui uma singela homenagem, que não consegue sequer arranhar a superfície da complexidade, a um grupo especial:


Quando pequeno tinha um vizinho que falava um português cheio de sotaque japonês, já que ele era de uma primeira geração de imigrantes no país[bb]. Que me lembre fui convidado à sua casa apenas uma vez, e não lembro nada de sua mãe. Severa? Doce? Passiva? Difícil saber qual desses estereótipos usados para descrever as mães japonesas possivelmente se encaixaria nela.

Desde então tive a oportunidade de cruzar com toda a sorte de mães e avós japonesas, considerando ai isseis, nisseis e sanseis. Algumas conheci pouco, outras muito bem. Entre elas há as que desconfiam de mim, as super simpáticas, as que me detestam e as que me tratam como um membro da família. Tal qual como qualquer mãe com que cruzei.

Mas o que torna as mães japonesas no Brasil diferente das demais? O mesmo que qualquer mãe imigrante ou filha de imigrantes: O choque cultural. Imagine o mundo como você o conhece deixado para trás e ter que se adaptar a um lugar novo, desconhecido onde sequer os outros falam sua língua; ou ter culturas completamente separadas dentro e fora de casa. Ao mesmo tempo ter que pensar em sua família, seu marido, filhos e como satisfazer as próprias aspirações.

O que passar adiante para os filhos? Valores da terra-mãe ou liberar geral? As mães da minha geração (leia-se mães de meus amigos) são de uma fase transitória. Muitas delas tinham que saber lidar com o aprendizado dentro e fora de casa, influências de mundos diferentes, o saudosismo e esperanças dos pais com relação a suas culturas e as novidades de um mundo em constante mudança.

Filhas que agora são mães, elas possuem dupla experiência em todos os quesitos. A questão da manutenção de valores me parece muito mais ligada ao momento histórico e idade do que posição na escala migratória estabelecida (isseis para nascidos no Japão, nisses para os seus filhos e sanseis para seus netos).

Entre as avós, sejam isseis ou nisseis, as que romperam barreiras e casaram-se com Gaijins contam-se nos dedos. Suas filhas já foram mais ousadas, algumas com o apoio da família, outras até mesmo cortando relações, tudo em nome do amor. Já as netas vivem uma outra realidade, a cultura japonesa está estabelecida aqui. Os valores passam adiante com olhos rasgados ou apenas levemente puxados.

Algumas dessas mães têm apenas nomes japoneses, e para facilitar a interação com o país adotaram nomes brasileiros sem registros oficiais. Depois os filhos passaram a ser batizados com nomes brasileiros e japoneses, e hoje, alguns carregam apenas nomes tupiniquins. Isso não é diluição, é integração.

Independente da forma que isso toma, o comportamento das mães japonesas tem a mesma raiz: Zelo. Um zelo por seus filhos e a esperança de que eles irão levar adiante o melhor que a terra-mãe tem a oferecer, algo que vai além do sangue nas veias e dos olhos puxados. A vontade de que seus descendentes não sejam apenas japoneses, coreanos, chineses ou brasileiros, mas que sejam como elas, pessoas incríveis.

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Funk carioca do Japão em São Paulo

Saturday, May 3rd, 2008

Entendeu? É isso mesmo. Fiquei sabendo do evento de ultima hora, por isso o aviso de última hora. O plano era fazer um podcast com o Barone, que acabou indo pelo ralo, então espero que esse post sirva para levar ao menos uma pessoa ao show de Tigarah hoje e amanhã em São Paulo.

Pra quem não conhece, Tigarah é uma jovem japonesa ex-estudante de Ciências Políticas que, ao visitar o BRasil, se abaixonou peloFunk Carioca[bb]. Ao voltar pro Japão se desiludiu com a cena política local e conclui que faria uma contribuição maior ao mundo com a música.

E todos ficamos felizes com isso. Já que não há nada igual a Tigarah no mundo. Agora vivendo em Los Angeles ela vem pela primeira vez realizar três shows em São Paulo.

Serviço
SESC Paulista
Av. Paulista, 119 (mapa)
Datas: 02, 03 e 04 de maio.
Horário: 20:30
Censura: 18 anos.
Ingressos à venda em qualquer unidade SESC:
R$ 20,00.
Meia para estudantes e preços diferenciados para associados, trabalhadores de Comércio e Serviços e idosos.

Conheça mais sobre Tigarah no Overmundo.

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Japão, uma boa influência?

Wednesday, April 2nd, 2008

Um estudo da BBC conclui que a Alemanha e o Japão são os países com a influência mais positiva atualmente no mundo. O Brasil está em sexto, perdendo apenas de Alemanha, Japão, União Européia, Reino Unido e França; mas à frente de China, Russia, EUA e Israel.

China e Coréia do Sul foram os países que enxergam o Japão mais negativamente. 55% dos Chineses e 52% dos SulCoreanos disseram que o Japão constitui uma má influência. Quem não consegue imaginar porque, sugiro começar pesquisando sobre a Guerra no Pacífico.

Já o Brasil é bem-quisto no Quênia, Chile e Estados-Unidos. Mas mal-amado no Egito e Turquia.

Para ler o relatório completo, confira a página da BBC Internacional.

Via Japan Probe e Yomuri Shimbun.

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Ajinomoto, o quinto e misterioso sabor

Monday, March 17th, 2008


Sou a única pessoa da minha casa que realmente aprecia o uso de Aji-no-moto. E demorou até que eu entendesse a magia por trás desse “realçador de sabor”. Não o uso compulsivamente, mas sou o responsável óbvio pela circulação do produto em meu lar, experimentando-o em carnes, arroz, feijão, legumes, pipoca e tudo o mais que der vontade.

photo by shibainu

O que é Aji-no-moto?
Com um sabor teoricamente indefinível, a Ajinomoto já marquetou seu produto como “o quinto sabor”, aquele que não é doce, azedo, amargo ou salgado, é simplesmente Aji-no-moto. Realisticamente falando ele é claramente um salgado adocicado um pouco azedinho. Mas afinal, o que é Aji-no-moto?

É na verdade o nome de marca de um composto químico chamado Glutamato Monossódico, um realçador de sabor produzido por diversas companhias, dentre as quais Ajinomoto é a líder. E é preciso diferenciar a marca Ajinomoto – uma companhia multi-setorizada responsável por outros produtos como Hondashi, Sazon, Mid-Sugar e FIT – do produto Aji-no-moto, o já mencionado realçador de sabor.

Umami (旨み – em japonês) ou xiānwèi (鮮味 – em chinês) seria o nome desse quinto sabor, que significa surpreendentemente “saboroso”. O umami foi isolado no Glutamato Monossódico a parti de algas e daí surgiu o produto e a companhia Ajinomoto. Presente no mundo todo, no Brasil o glutamato é derivado de cana-de-açucar, mas a companhia já enfrentou controvérsias quanto a fabricação do produto na Indonésia (de maioria muçulmana) quando descobriu-se que uma enzima suína era usada no processo. Para nós reles consumidores fica difícil saber o quanto confiar quando na embalagem o único ingrediente listado é o Glutamato Monossódico.

Questão de Saúde
Essa não é a única controvérsia em torno do Glutamato Monossódico, que já atraiu a atenção de agências reguladoras nos EUA, Europa e Austrália. A mais importante delas é a chamada “Síndrome do Restaurante Chinês”.

Em 1968, um artigo no New England Journal of Medicine por Ho Man Kwok apontava certos sintomas após o consumo de comida chinesa, entre eles: Dormência na nuca irradiando para ambos os braços e para as costas, fraqueza generalizada e palpitações. Eles duravam até duas horas depois do consumo de pratos chineses, em especial culinária do norte da China. Aparentemente isso criou um certo susto na época, manchando a reputação da culinária chinesa, mas nenhuma pesquisa foi capaz de encontrar tais sintomas ou outros efeitos colaterais em uma parcela significativa da população.

Apesar desses sustos e outras lendas urbanas acerca de efeitos colaterais por consumo de Aji-no-moto, é um alimento perfeitamente seguro consumido por japoneses e brasileiros há muito tempo. Na verdade, você ficaria surpreso em saber a quantidade de alimentos que consumimos que possuem Glutamato Monossódico, na forma natural ou isolado industrialmente. Eis aqui alguns exemplos:

  • Sopas enlatadas (como as famosas Campbell)
  • Tempero de macarrão instantâneo
  • Salgadinhos industrializados (inclusive aquele novo molho “Dippas” da Elma Chips)
  • Algas Marinhas
  • Cana de Açucar
  • Diversas frutas

E obviamente, muitos outros produtos da companhia Ajinomoto, expecialmente os temperos, levam glutamato na composição.

Entretanto determinados indivíduos podem apresentar sintomas da Sindrome do Restaurante Chinês e devem estar atentos se têm alguma reação adversa ao consumo de Glutamato Monossódico. Da mesma maneira que todos devemos prestar atenção se somos alérgicos a camarão.

Consultei um Bioquímico e uma Farmacóloga que preferem permanecer anônimos e me informaram que as informações disponíveis sobre o assunto na internet são confiáveis e suficientes. Não há estudos que apontem qualquer efeito grave causado pelo consumo de Glutamato Monossódico. Também entrei em contato com o SAC da Ajinomoto e disponibilizei o áudio em nosso primeiro OrientalizeCast (veja lá em cima), cordialmente substitui o tempo de espera pelo som de gongos.

Diversão?

Mas não estamos aqui só para encher a pança, mas também usar a cabeça e nos divertirmos. Pois existe um jogo da Ajinomoto! Chama-se Motoko-chan no Wonder Kitchen, lançado para o Super Famicon / Super Nintendo. Eu esperava algo no estilo Cooking Mama, o jogo que plantou minha paixão definitiva pelo Nintendo DS. Mas não, devo dizer que é uma chatisse, ainda mais para quem não lê japonês como eu.

Você começa numa bizarra cozinha, onde pimentas (?) se transformam em gnomos ladrões de legumes; e ao entrar no armário é transportado ao quarto de uma bruxa, com a qual joga um estranho jogo-da-velha avançado e depois rouba sua vassoura. Além disso, no congelador você vai parar em um navio pirata, que te dá uma lição sobre a história da maionese e te leva até uma estranha ilha, ponto no qual eu simplesmente desisti de jogar.

O jogo na verdade foi criado para promover a maionese da Ajinomoto, que é o personagem/ingrediente principal da história. Se quiser se aventurar, você pode encontrar o ROM para Super Nintendo aqui. Para os medrosos (ou pessoas de bom senso) alguns screencaps:

Motoko-chan no Wonder KitchenMotoko-chan no Wonder Kitchen
Motoko-chan no Wonder KitchenMotoko-chan no Wonder Kitchen

Realce o sabor

Apesar da aversão de alguns, e dos tolos boatos de insalubridade, ainda aprecio aji-no-moto e pretendo continuar usando-o em minha alimentação. Mesmo que decidisse não mais consumir, teria um sério problema já que ele é encontrado em inúmeros produtos orientais ou não e com certeza é utilizado por chefs de culinária asiática.

Fontes
Yahoo! Perguntas (teorias da conspiração sobre o produto)
Yahoo! Perguntas (mais teorias da conspiração)
Site Oficial Ajinomoto
Wikipedia: Glutamic Aci (Inglês)
Wikipedia: Glutamato Monossódico (Inglês)
Wikipedia: Ajinomoto (Inglês)

Wikipédia: Sal

Este artigo faz parte da Blogagem Inédita organizada pelo InterNey.

 
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Cem anos de japonesas no Brasil

Sunday, March 16th, 2008

Autor: Franklin Ruão
e-mail: franklin@tigra.com.br

De vez em quando iremos publicar textos de autores que não são parte integral da equipe Orientalize. Como foi dito no post inaugural, um dos pontos de partida do Orientalize foi o texto de Franklin Ruão veiculado originalmente no blog Na Minha Rolleiflex, do jornalista Alexandre Carvalho dos Santos. Como forma de agradecimento pela inspiração, decidimos chamá-lo a republicar o texto aqui como nosso primeiro autor convidado. Para quem ainda não leu esse ótimo artigo, eis a chance.

—–

No dia 18 de junho de 2008, será comemorado o Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. Os veículos de comunicação já estão apresentando matérias alusivas ao evento e até o final do ano vamos presenciar um festival de clichês mostrando as diferenças culturais entre os dois povos, os sacrifícios enfrentados pelos primeiros imigrantes, reportagens especiais feitas no Japão evidenciando o país como um paradoxo entre o passado e o futuro, etc.
Tudo isso me incomoda profundamente, pois acredito que a complexidade da alma do povo japonês não possa ser resumida dessa forma, assim como matérias mostrando o Brasil como um país “cartão-postal” também não traduzem a realidade daqueles que nasceram e foram criados aqui.
Poucas pessoas fora do Brasil seriam capazes de compreender plenamente como se dá a amálgama que compõe a vida e o espírito de indivíduos que foram capazes de sobreviver e algumas vezes prosperar em situações tão adversas como as que encontramos em nosso país. Mais difícil ainda explicar que essas dificuldades apresentam graduações sutis que escondem e mascaram intenções de todos os tipos.

Por acreditar nisso, não vou aplicar a mesma lógica reducionista nas comemorações dos cem anos da imigração japonesa no Brasil.
Qualquer um que deseje compreender os japoneses deve começar lendo O Crisântemo e a Espada, de Ruth Benedict, e depois Yukio Mishima.
Mishima sozinho já seria tema para milhares de páginas. Para os não familiarizados, deixo aqui a informação que este homem, apesar de alguns lapsos comportamentais, foi o único, último e verdadeiro samurai da era moderna. Enquanto isso, ditos autores e supostos “mestres” mal informados conspurcam a memória dos samurais e engordam suas contas bancarias vendendo bazófias para guiar executivos e analfabetos corporativistas pelo “caminho da espada” inventado por eles mesmos.
Nos 100 anos da imigração japonesa no Brasil, prefiro exaltar o que de melhor os japoneses sabem fazer: filhas lindas e maravilhosas.

Cica 003
Otávio Dias

As japonesas nascidas no Brasil, desde cedo precisam aprender a conviver com a atitude do homem latino-americano, dado a arroubos quando avistam mulheres protuberantes. A beleza nívea e por vezes etérea da mulher japonesa requer um olhar diferenciado, e só para este se revela em sua plenitude.
Para agravar a situação, ainda existem aqueles que assediam essas belas jovens apenas motivados por fantasias fugazes e não pelo desejo confesso e verdadeiro de desfrutar uma companhia tão especial.
No meio deste turbilhão de emoções e sentimentos conflitantes, as japonesas ainda tiveram que lidar com estereótipos diversos, a expectativa dos pais quanto à carreira acadêmica, comparações com os irmãos e a manutenção de suas tradições. Com certeza, as japonesas não foram as únicas a lidar com esses problemas, mas resolveram tudo com esmero e agora desfilam realizadas neste centenário. Nas universidades públicas (ou particulares), elas estão presentes para a felicidade dos estudantes que podem dividir as salas de aula com elas. Nos trens do metrô, indo para o trabalho, caminhando despretensiosas pelas ruas, calçando chinelos, com suas mochilas repletas de chaveiros de bichinhos, atuando como dentistas, economistas, advogadas, bancárias, no serviço público, nas grandes corporações, nos hotéis, nas lojas, emprestando seu charme internacional para diversas empresas, elas são as mulheres mais bonitas que existem.
Na mídia, esse domínio fica evidente a cada novo lançamento cinematográfico ou em qualquer uma das comentadas séries da televisão norte-americana; no Brasil, essa realidade desponta tímida e equivocadamente, enquanto as luzes se voltam para Daniele Suzuki, prefiro destacar Giovanna Tominaga, essa sim uma verdadeira representante da beleza da mulher japonesa.

Mas de todas essas beldades nipônicas que nos presenteiam diariamente com sua presença, nenhum esforço foi tão louvável quanto o da seleção brasileira de softball que disputou os Jogos Pan-americanos em 2007, no Rio de Janeiro.
Com o intuito de divulgar o esporte que praticam, essas ousadas jogadoras de softball fizeram muito mais do que um ensaio fotográfico: redefiniram a sensualidade da mulher japonesa no Brasil.

Vivian 001
Otávio Dias

A iniciativa dessas garotas evoca o talento pioneiro de Rosa Miyake, do programa ícone “Imagens do Japão”. Elas mostraram uma beleza natural, não adulterada por plásticas e silicone; são verdadeiras e você tem certeza que pode acabar encontrando com elas em algum lugar. Muito antes das comemorações do centenário da imigração, essas meninas mostraram do que as japonesas são capazes.

Doutora em Farmácia e cartunista, a franco-oriental Chenda Kuhn atende pelo pseudônimo de Aurélia Aurita. Ela escreveu e desenhou o álbum Morango e Chocolate, em que descreve seu relacionamento com o cartunista francês que vive no Japão, Frédéric Boilet. O infame francês decidiu construir sua carreira abusando da ingenuidade das moças do Japão, prometendo notoriedade para aspirantes a celebridades e criando álbuns a partir de relacionamentos que disse ter. Aurélia, buscando ascender na carreira, foi mais uma vítima desse farsante e, apesar da sua sensibilidade, comete o terrível erro ao afirmar que Boilet “louvou a mulher japonesa” nos seus trabalhos. Aurélia realmente tem muito que aprender com as atletas japonesas da seleção brasileira de softball.

O que muitos temem, eu digo sem hesitar: as japonesas são mulheres que vivem intensamente sua sensualidade e feminilidade; apenas homens que não tenham sua autoconfiança danificada conseguirão viver essa simbiose com a mulher japonesa.

Muitos não compactuam com minhas palavras e fico feliz em saber que suas mãos impuras nunca tocarão no verdadeiro legado que os imigrantes japoneses trouxeram para o Brasil há cem anos.

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