Carne de cachorro proibida

Friday, July 11th, 2008

Confesso que tenho uma grande curiosidade para experimentar carne de cachorro, um ingrediente da culinária coreana. Entendo as implicações culturais de tal declaração, mas eu consigo separar bem entre o cachorro de comer e o de brincar. Na França é comum comer carne de cavalo, e pelo muito muitas pessoas tem porcos de estimação, eu mesmo já tive um boi de estimação.

Na minha opinião a decisão de comer ou não um animal específico (não estou incluindo vegetarianismo na discussão) é realmente uma decisão pessoal baseada na cultura na qual a pessoa cresceu.

Para aqueles que estão indo para as Olimpíadas em Pequim na esperança de experimentar um dog, uma triste notícia: O governo chinês proibiu a venda de carne de cachorro nos restaurantes oficiais do evento. A carne, disponível em restaurantes de culinária coreana, está cada vez mais permeando o cardápio chinês. Mesmo sob a insistência dos consumidores os restaurantes estão expressamente proibidos de vender o produto.

Via BBC Brasil

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China Menu do McDonalds

Tuesday, July 8th, 2008

Ontem fui experimentar o China Menu que o McDonalds acabou de lançar como parte do pacote de marketing das Olímpiadas de Pequim. Ele é composto de um sanduiche, sticks de arroz com legumes, Fanta Mundo China e de sobremesa Banana Caramelada com sorvete.


Imagem retirada do site do McDonald’s

Agora vamos às críticas. O sanduiche, batizado de Beijing Burger é composto de carne, molho oriental com gostinho de gengibre, alface e chop suey em um pão Beijing. Isso segundo o McDonalds. Honestamente não senti gostinho de gengibre algum, o tal pão Beijing é o pão gergelim do McDonalds acrescido de gergelins pretos. Existe também maionese, que não é mencionada na descrição oficial – cujo aspecto chinês eu questiono. O sanduiche que eu comi sofreu com o molho, liquido demais, que deixou o pão mais mole do que deveria. Além disso a alface foi colocada sem qualquer esmero e metade dela foi ao chão na minha primeira mordida.


Imagem real. Reparem no estado do sanduiche

Os sitcks de arroz com legumes são interessantes. É basicamente uma fusão do bolinho de arroz que sua mãe faz com aqueles nuggets de legumes da Sadia. Apesar da idade do óleo em que foi frito estar um pouco avançada, era gostoso, mas nada sensacional. E o molho agridoçe que acompanhava era um pouco firme demais, meio gelatinoso.

A Fanta Mundo China tem uma pegadinha diferente, de fato. Se é boa ou ruim, vai depender de cada um. Fanta costuma ser uma bebida polarizadora.


Sobremesa

A sobremesa, como era de se esperar no McDonalds, não é de fato uma banana. É massa de banana em formato abananado. Ao contrário da banana caramelada que se come em restaurantes chineses, essa parecia simplesmente empanada, praticamente uma banana à milanesa. Não havia crocância. Para tapear, há pedacinhos de caramelo crocante salpicados pelo sorvete. A maior desvantagem do doce é o despreparo da estrutura do McDonalds para servi-lo, o que demorou quase cinco minutos, algo inadimissível para um restaurante de fast-food.

Lendo minha crítica pode parecer que é uma porcaria. Mas não. É McDonalds, há que saber o que esperar. Recomendo o sanduiche, mas não faço questão dos sticks. E se não estiver com pressa, a sobremesa vale a pena.

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Ajinomoto, o quinto e misterioso sabor

Monday, March 17th, 2008


Sou a única pessoa da minha casa que realmente aprecia o uso de Aji-no-moto. E demorou até que eu entendesse a magia por trás desse “realçador de sabor”. Não o uso compulsivamente, mas sou o responsável óbvio pela circulação do produto em meu lar, experimentando-o em carnes, arroz, feijão, legumes, pipoca e tudo o mais que der vontade.

photo by shibainu

O que é Aji-no-moto?
Com um sabor teoricamente indefinível, a Ajinomoto já marquetou seu produto como “o quinto sabor”, aquele que não é doce, azedo, amargo ou salgado, é simplesmente Aji-no-moto. Realisticamente falando ele é claramente um salgado adocicado um pouco azedinho. Mas afinal, o que é Aji-no-moto?

É na verdade o nome de marca de um composto químico chamado Glutamato Monossódico, um realçador de sabor produzido por diversas companhias, dentre as quais Ajinomoto é a líder. E é preciso diferenciar a marca Ajinomoto – uma companhia multi-setorizada responsável por outros produtos como Hondashi, Sazon, Mid-Sugar e FIT – do produto Aji-no-moto, o já mencionado realçador de sabor.

Umami (旨み – em japonês) ou xiānwèi (鮮味 – em chinês) seria o nome desse quinto sabor, que significa surpreendentemente “saboroso”. O umami foi isolado no Glutamato Monossódico a parti de algas e daí surgiu o produto e a companhia Ajinomoto. Presente no mundo todo, no Brasil o glutamato é derivado de cana-de-açucar, mas a companhia já enfrentou controvérsias quanto a fabricação do produto na Indonésia (de maioria muçulmana) quando descobriu-se que uma enzima suína era usada no processo. Para nós reles consumidores fica difícil saber o quanto confiar quando na embalagem o único ingrediente listado é o Glutamato Monossódico.

Questão de Saúde
Essa não é a única controvérsia em torno do Glutamato Monossódico, que já atraiu a atenção de agências reguladoras nos EUA, Europa e Austrália. A mais importante delas é a chamada “Síndrome do Restaurante Chinês”.

Em 1968, um artigo no New England Journal of Medicine por Ho Man Kwok apontava certos sintomas após o consumo de comida chinesa, entre eles: Dormência na nuca irradiando para ambos os braços e para as costas, fraqueza generalizada e palpitações. Eles duravam até duas horas depois do consumo de pratos chineses, em especial culinária do norte da China. Aparentemente isso criou um certo susto na época, manchando a reputação da culinária chinesa, mas nenhuma pesquisa foi capaz de encontrar tais sintomas ou outros efeitos colaterais em uma parcela significativa da população.

Apesar desses sustos e outras lendas urbanas acerca de efeitos colaterais por consumo de Aji-no-moto, é um alimento perfeitamente seguro consumido por japoneses e brasileiros há muito tempo. Na verdade, você ficaria surpreso em saber a quantidade de alimentos que consumimos que possuem Glutamato Monossódico, na forma natural ou isolado industrialmente. Eis aqui alguns exemplos:

  • Sopas enlatadas (como as famosas Campbell)
  • Tempero de macarrão instantâneo
  • Salgadinhos industrializados (inclusive aquele novo molho “Dippas” da Elma Chips)
  • Algas Marinhas
  • Cana de Açucar
  • Diversas frutas

E obviamente, muitos outros produtos da companhia Ajinomoto, expecialmente os temperos, levam glutamato na composição.

Entretanto determinados indivíduos podem apresentar sintomas da Sindrome do Restaurante Chinês e devem estar atentos se têm alguma reação adversa ao consumo de Glutamato Monossódico. Da mesma maneira que todos devemos prestar atenção se somos alérgicos a camarão.

Consultei um Bioquímico e uma Farmacóloga que preferem permanecer anônimos e me informaram que as informações disponíveis sobre o assunto na internet são confiáveis e suficientes. Não há estudos que apontem qualquer efeito grave causado pelo consumo de Glutamato Monossódico. Também entrei em contato com o SAC da Ajinomoto e disponibilizei o áudio em nosso primeiro OrientalizeCast (veja lá em cima), cordialmente substitui o tempo de espera pelo som de gongos.

Diversão?

Mas não estamos aqui só para encher a pança, mas também usar a cabeça e nos divertirmos. Pois existe um jogo da Ajinomoto! Chama-se Motoko-chan no Wonder Kitchen, lançado para o Super Famicon / Super Nintendo. Eu esperava algo no estilo Cooking Mama, o jogo que plantou minha paixão definitiva pelo Nintendo DS. Mas não, devo dizer que é uma chatisse, ainda mais para quem não lê japonês como eu.

Você começa numa bizarra cozinha, onde pimentas (?) se transformam em gnomos ladrões de legumes; e ao entrar no armário é transportado ao quarto de uma bruxa, com a qual joga um estranho jogo-da-velha avançado e depois rouba sua vassoura. Além disso, no congelador você vai parar em um navio pirata, que te dá uma lição sobre a história da maionese e te leva até uma estranha ilha, ponto no qual eu simplesmente desisti de jogar.

O jogo na verdade foi criado para promover a maionese da Ajinomoto, que é o personagem/ingrediente principal da história. Se quiser se aventurar, você pode encontrar o ROM para Super Nintendo aqui. Para os medrosos (ou pessoas de bom senso) alguns screencaps:

Motoko-chan no Wonder KitchenMotoko-chan no Wonder Kitchen
Motoko-chan no Wonder KitchenMotoko-chan no Wonder Kitchen

Realce o sabor

Apesar da aversão de alguns, e dos tolos boatos de insalubridade, ainda aprecio aji-no-moto e pretendo continuar usando-o em minha alimentação. Mesmo que decidisse não mais consumir, teria um sério problema já que ele é encontrado em inúmeros produtos orientais ou não e com certeza é utilizado por chefs de culinária asiática.

Fontes
Yahoo! Perguntas (teorias da conspiração sobre o produto)
Yahoo! Perguntas (mais teorias da conspiração)
Site Oficial Ajinomoto
Wikipedia: Glutamic Aci (Inglês)
Wikipedia: Glutamato Monossódico (Inglês)
Wikipedia: Ajinomoto (Inglês)

Wikipédia: Sal

Este artigo faz parte da Blogagem Inédita organizada pelo InterNey.

 
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Pimenta

Sunday, March 16th, 2008

Este é meu primeiro post aqui no blog, ainda estou pensando o que vou falar, mas quero escrever coisas relevantes sobre esta cultura que aprendo um pouco por dia. Neste post vou falar sobre comida, especificamente sobre pimenta.

A culinária coreana é famosa por ser apimentada, a pimenta é base de muitos pratos, mas só quando você conhece um coreano que come pizza com pimenta entende o quanto este tempero é parte da cultura.

Existe uma pasta de pimenta para comer com alface, pepino ou com outro acompanhamento que preferir. O sabor é diferente, meio adocicado, mas é bastante apimentado.Vai encarar?

Pimenta Fermentada Pimenta Fermentada 2

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Um refúgio japonês na Brigadeiro

Friday, March 14th, 2008

 

waka_01

Sempre tive um problema com pessoas que acreditam que comida japonesa=sushi. E que se forem ao Japão irão se esbaldar em um constante rodízio dessa iguaria. O que é na verdade uma grande bobagem.

Da mesma forma que não consumimos apenas feijoada com caipirinha, japoneses não vivem de sushi com saquê. Quando falamos “vamos comer um japa” automaticamente está inserido o sushi, e se no grupo há alguém que não gosta (ou não pode) comer peixe cru, a pessoa se limita a pedir um yakissoba ou no máximo dos máximos um tempurá. Muitos sequer sabem o que é guioza.

Pois bem, adoro explorar justamente outros aspectos da culinária nipônica, já que sushi eu já acho (literalmente) na esquina da minha casa. Um ótimo exemplo e ponto de partida é o teishoku do Restaurante Waka.

Localizado nos fundos de uma galeria na Brigadeiro, o Waka é um verdadeiro achado culinário em São Paulo. O cardápio fica na parede, um grande escrito em japonês, e um em português bem menor. Quem entra é recebido pela enigmática dona Maria com um enfático “ogenki desu ka” e/ou “konbanwa”. Mas não é preciso ler nenhum dos cardápios, basta perguntar o que tem de bom hoje.

A entrada do lugar nos faz sentir em uma cena de Blade Runner em Kyoto. Um longo balcão de madeira maciça separa os clientes de uma série de calendários peculiares, alguns dignos de oficinas mecânicas, enquanto que no segundo andar é possível sentar-se numa mesa sobre o tatame – coisa que em restaurantes como Nakombi é preciso reservar.

Há outros pratos além do teishoku, todos igualmente bem encorpados, que são ordenados à cozinha em uma mistura de japonês e português. Em minha última visita o teishoku saía por apenas 15 reais. Ele é básicamente um PF japonês, composto por:

  • Sashimi (geralmente de Atum)
  • Atum assado (feito pela própria casa, nada enlatado)
  • Sardinha na brasa ou Salmão assado
  • Bolinho de carne ou Frango empanado
  • Salada de conservas
  • Tofu
  • Misoshiru
  • Gohan

E ainda há chá verde (quente) à vontade. Pessoalmente prefiro o atum assado e o frango, e mal como a tal salada. Apesar do chá à vontade, é difícil ficar bebendo coisa quente com comida desse tipo, considerando que eles comem no café da manhã o mesmo que nas outras refeições acredito que os japoneses tenham dominado essa arte, eu não. O visual do lugar e a natureza da comida (ir pegando de vários pratinhos) convidam muito bem uma cerveja.

Para acompanhar, shoyu e um molho peculiar grosso, que lembra o teriyaki, mas com um toque diferente. Um detalhe que parece estar entrando em desuso nos restaurantes japoneses que freqüento é o paninho quente para limpar as mãos, que está presente aqui.

Além desse desbunde de comida e decoração pitoresca, dona Maria é uma atração à parte. Uma senhora descendente de japoneses (descobri que ela é de Ribeirão Preto), tem aquela personalidade forte que esperamos de bachans tradicionais misturada a uma curiosidade que a tornam ao mesmo tempo simpática e severa. Quieta em seu canto, ela espera o momento certo para entrar nas conversas dos clientes, nas diversas visitas que fiz ela já contou causos de suas viagens, de sua terra (Ribeirão Preto, não Japão) e já deu bronca em uma amiga minha por comer mal.

Se está cansado de restaurantes japoneses ultra-modernos e super assépticos, ou quer experimentar outras coisas além de sushi, Waka é o lugar para isso. Ah, não se assuste se for à noite e a galeria estiver fechada, basta tocar o interfone.

Endereço (mapa):
Av. Brigadeiro Luiz Antonio, 2050 – Loja 15
Tel: (11) 3191-0280

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