100 anos de mães japonesas no Brasil
Sunday, May 11th, 2008Como Franklin Ruão, já fui tocado não só pela cultura, mas pelas incríveis pessoas de natureza japonesa que cruzaram minha vida. Algumas se fazem presentes, outras se perderam no passado, mas muitas deixaram sua marca. Aproveitando essa data comemorativa deixo aqui uma singela homenagem, que não consegue sequer arranhar a superfície da complexidade, a um grupo especial:
Quando pequeno tinha um vizinho que falava um português cheio de sotaque japonês, já que ele era de uma primeira geração de imigrantes no país. Que me lembre fui convidado à sua casa apenas uma vez, e não lembro nada de sua mãe. Severa? Doce? Passiva? Difícil saber qual desses estereótipos usados para descrever as mães japonesas possivelmente se encaixaria nela.
Desde então tive a oportunidade de cruzar com toda a sorte de mães e avós japonesas, considerando ai isseis, nisseis e sanseis. Algumas conheci pouco, outras muito bem. Entre elas há as que desconfiam de mim, as super simpáticas, as que me detestam e as que me tratam como um membro da família. Tal qual como qualquer mãe com que cruzei.
Mas o que torna as mães japonesas no Brasil diferente das demais? O mesmo que qualquer mãe imigrante ou filha de imigrantes: O choque cultural. Imagine o mundo como você o conhece deixado para trás e ter que se adaptar a um lugar novo, desconhecido onde sequer os outros falam sua língua; ou ter culturas completamente separadas dentro e fora de casa. Ao mesmo tempo ter que pensar em sua família, seu marido, filhos e como satisfazer as próprias aspirações.
O que passar adiante para os filhos? Valores da terra-mãe ou liberar geral? As mães da minha geração (leia-se mães de meus amigos) são de uma fase transitória. Muitas delas tinham que saber lidar com o aprendizado dentro e fora de casa, influências de mundos diferentes, o saudosismo e esperanças dos pais com relação a suas culturas e as novidades de um mundo em constante mudança.
Filhas que agora são mães, elas possuem dupla experiência em todos os quesitos. A questão da manutenção de valores me parece muito mais ligada ao momento histórico e idade do que posição na escala migratória estabelecida (isseis para nascidos no Japão, nisses para os seus filhos e sanseis para seus netos).
Entre as avós, sejam isseis ou nisseis, as que romperam barreiras e casaram-se com Gaijins contam-se nos dedos. Suas filhas já foram mais ousadas, algumas com o apoio da família, outras até mesmo cortando relações, tudo em nome do amor. Já as netas vivem uma outra realidade, a cultura japonesa está estabelecida aqui. Os valores passam adiante com olhos rasgados ou apenas levemente puxados.
Algumas dessas mães têm apenas nomes japoneses, e para facilitar a interação com o país adotaram nomes brasileiros sem registros oficiais. Depois os filhos passaram a ser batizados com nomes brasileiros e japoneses, e hoje, alguns carregam apenas nomes tupiniquins. Isso não é diluição, é integração.
Independente da forma que isso toma, o comportamento das mães japonesas tem a mesma raiz: Zelo. Um zelo por seus filhos e a esperança de que eles irão levar adiante o melhor que a terra-mãe tem a oferecer, algo que vai além do sangue nas veias e dos olhos puxados. A vontade de que seus descendentes não sejam apenas japoneses, coreanos, chineses ou brasileiros, mas que sejam como elas, pessoas incríveis.











