Akira - 20 anos depois

Thursday, July 3rd, 2008

Lembro-me de quando Akira saiu nos cinemas, e eu, um pirralho, estava louco para ver o tal desenho animado japonês. Não me lembro da censura na época mas qualquer pessoa sensata não deixaria menores de 14 anos assistirem a esse filme. Não apenas pelas cenas de violência e temas maduros, mas pelo simples fato de que as chances de não entender nada e ficar entediado são enormres - uns dez anos depois vi um pai tentando empurrar Akira ao filho pequeno em uma Blockbuster, e quase o avisei do erro, mas achei melhor ele quebrar a cara; o que não foi preciso, pois a criança foi mais esperta que o pai e negou.

Quando finalmente assisti, uns dois anos depois do lançamento, como todos meus amiguinhos eu fiquei maravilhado, e achava o máximo. O que ninguém tinha coragem de admitir é que ninguém entendeu patavinas. Akira foi o 2001[bb] de minha geração, aquele filme famoso, visualmente único, divisor de águas, que todo mundo gostava mesmo sem entender. Demorou muito para que eu descobrisse de fato quem era o tal de Akira, que muitos pré-adolescentes confundiam com Tetsuo ou Kaneda. Vinte anos se passaram (para mim, quase vinte) e agora temos uma edição especial em DVD. Ou eu deveria dizer, uma edição em DVD? Lançado separadamente em versões fullscreen e widescreen, a caixa metálica de edição limitada junta esses dois discos com mais algumas bugigangas (pôster, camiseta e cards). Façamos um review completo

O Pacote

A lata em si é bonita e imponente. Mas não é das mais resistentes. Da loja até o escritório ela já adquiriu alguns amassados nos vincos. Os cards são legais, se eu colecionasse cards acharia o máximo, mas como não é o caso eles ficam dentro da caixa. O pôster mostra aquela linda cena de Kaneda freando sua moto vermelha, mas vem dobrado. E a camiseta é estampada com Kaneda segurando um trabuco, estampa essa feita com um transfer simples que deixa grandes bordas “pretas” ao redor do desenho e foge de ferro quente como o diabo da cruz.

Filme

O filme em widescreen tem uma ótima qualidade se comparado com as cópias disponíveis anteriormente, e já mencionei que é widescreen? Não tenho conhecimentos técnicos o suficiente para julgar, mas apesar de ser muito bom, essa remasterização não parece estar no mesmo patamar de outros re-lançamentos como as edições especiais de Star Trek[bb] ou da trilogia original Star Wars[bb]. Assistir ao filme em si tem seus problemas. Ao selecionar a opção “filme” somos obrigados a assistir uma coletânea de propagandas anti-pirataria que são impossíveis de escapar uma vez iniciadas. Então você percebe que os personagens japoneses estão falando em inglês, e precisa mudar o áudio, mas isso não é possível através dos atalhos do DVD player[bb]. Indo ao menu e selecionando outra opção de áudio, não cometa o erro de pedir para voltar ao filme, pois você será castigado novamente com as propagandas. Para evitar essa dor de cabeça sempre entre no menu de capítulos e selecione o primeiro. A questão do audio em si é outro ponto negativo. Há a opção de inglês 2.0, inglês 5.1, japonês 2.0 e português 2.0. E só. Fiquei muito decepcionado ao descobrir que ou ouço a dublagem original, ou tenho que amargar estadounidense falando para ter aquela experiência desbaratinante do home theatre[bb]. Pesquisando um pouco acabei por descobrir que não existe uma edição em japonês com áudio 5.1. Não no mercado ocidental ao menos, o que é um desrespeito e uma prepotência.

Extras

Os extras ficam divididos entre os dois discos. O disco widescreen tem trailers e comerciais, storyboards e um glossário de termos do universo Akira. No disco fullscreen há várias entrevistas: com Katsuhiro Otomo; com os restauradores de audio e vídeo; e com os dubladores estadounidenses. Além disso há um mini-documentário sobre o filme (com um tom brincalhão) e outro sobre a produção da trilha sonora. Esses mini-documentários e a entrevista com Otomo valem os extras, mostrando a história por trás da produção e acrescentando alguns detalhes sobre o universo fictício. Senti falta de uma espécie de documentário retrospectiva, mostrando a influência cultural de Akira e o impacto do projeto nas vidas dos que participaram.

Concluindo

Hoje posso finalmente dizer que entendi o filme. Como toda boa animação japonesa[bb] ele tem um roteiro denso e personagens complexos. A trama aparentemente simples esconde diversos subtextos e temáticas. O filme discute a influência da tecnologia sobre as pessoas, delinqüência juvenil, a fragilidade da sociedade, amadurecimento pessoal e social, violência, a mecânica da corrupção, o delírio religioso, entre outras coisas, tudo com um pano de fundo budista. Além disso, tecnicamente ele rompeu com várias convenções da animação japonesa da época, como gravar as vozes antes da animação e animar quase todos os aspectos das cenas - coisas que não eram feitas para economizar tempo e dinheiro. A importância de Akira não é apenas sua qualidade como filme, mas uma conseqüência dela, pois foi o líder da segunda invasão asiática no ocidente, que estamos vivendo até hoje.

Apesar das falhas, em parte explicadas por essa ser uma versão da caixa norte-americana, essa edição de Akira vale a pena, se você se importa com extras, terá que comprar[bb] a caixa especial, pois como disse os que importam vêm com o filme fullscreen. Mas se não liga para essas informações dos bastidores, pode se ater à versão widescreen.

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Pule como um chinês

Friday, June 27th, 2008

Fui procurar vídeos de gente pulando corda quando me deparei com esse clipe sensacional com crianças e adolescentes chineses pulando corda no ritmo da música. Impressionante, especialmente a seqüência final. Pra quem curtiu, mais vídeos orientais de pulação de corda estão no player.

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Ruth Corrêa Leite, pesquisadora da imigração

Wednesday, June 25th, 2008

Quem viu as imagens do príncipe Naruhito na Sala São Paulo ao lado de Ruth e Fernando Henrique Cardoso se engana quem pensa que Ruth era acompanhante do convidado Fernando Henrique. Muito pelo contrário.

Acessando o site da Fundação Japão sobre o Centenário da Imigração[bb], o primeiro livro listado como bibliografia básica é: “Estrutura familiar e mobilidade social: Estudo dos japoneses no Estado de São Paulo.” de autoria da ex-primeira dama.

Baseado na tese de doutorado de 1972 da ex-primeira dama, o livro trata da estrutura familiar dos imigrantes, como isso influenciou a ocupação do estado por eles e o desenvolvimento da noção de colônia. Essa tese cimentou Ruth como uma das pioneiras e referência na pesquisa sobre a imigração japonesa no Brasil.

Assim, foi Fernando Henrique[bb] que estava acompanhando a ilustre convidada na presença de sua alteza. Mais um ponto alto da carreira acadêmica de nossa falecida primeira dama. Saiba mais em uma entrevista com Ruth sobre no site do jornal Nippo-Brasil.

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Quem não tem inu caça com neko

Tuesday, June 24th, 2008

Infelizmente não pude comparecer às festividades de Sábado no anhembi. Não fui um dos contemplados com ingresso e o credenciamento foi encerrado antes sequer de eu tentar essa manobra. Então acabei chupando o dedo.

Pessoalmente o evento máximo seria a apresentação de taiko, que ao julgar pelo vídeo abaixo foi mesmo sensacional. Se você também perdeu esse momento, ou quer relembrar, uma alma caridosa postou no YouTube:

Ainda para afogar a mágoa comprei duas revistas especiais do centenário. Um intitulada simplesmente “100 anos da Imigração Japonesa no brasil”[bb] da Editora Abril e uma edição especial da Made In Japan bilíngüe. Ambas mostram contam a história da imigração e como a cultura do japão achou espaço aqui no Brasil. A Made in Japan é bem didática, começando com um discurso do imperador Akihito, ela tem uma ótima linha do tempo mostrando alguns pontos chave da história dos dois países, incluindo os momentos turbulentos. O foco é a lista de elementos da cultura japonesa que estão vivos hoje no Brasil; com depoimentos de adeptos nikkeys e gaijins dos mais diversos aspectos - englobando artes marciais, ikebana, chado, religião e etc. Já a edição da Abril tem um acabamento mais caprichado e um texto introdutório bastante interessante, que dependendo do ponto de vista pode jogar um balde de água fria nos ocidentais, ou mesmo nikkeys, que abraçam a cultura japonesa (ou qualquer cultura que tenhamos importado), discutindo que o que é praticado aqui não é cultura japonesa, mas sim cultura brasileira “ajaponeizada”. O ponto alto fica por conta de um percurso de 24h pelo Brasil mostrando como a cultura nipônica está presente no dia a dia de diversas pessoas. Aliás, o site da Abril dedicado ao centenário tem um conteúdo bem interessante, altamente recomendado. Ainda, realizei um breve passeio fotográfico noturno pelas ruas da Liberdade, devidamente decoradas para o centenário. Disponível no flickr.

www.flickr.com

[UPDATE] O videocast com a MeninaQueJoga está sofrendo problemas técnicos e tive que retirar o vídeo. Espero conseguir normalizar a situação até amanhã. Contamos com sua compreensão. Grato, a gerência.

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百年 (Hyaku nen)

Wednesday, June 18th, 2008

Hoje completam-se 100 anos desde que o navio Kasato Maru aportou em Santos, trazendo os primeiros imigrantes japoneses[bb]. Para fugir do lugar comum do assunto e marcar esse dia, selecionei alguns posts sobre o assunto que o tratam por um ângulo particular:

Um japaraguaio nos 100 anos de imigração japonesa
20 filmes para os 100 anos de imigração
Resposta do desafio malla: o torii
Myojo em homenagem ao centenário da imigração (!?)
HOW TO - Build an eco chopstick birdhouse - Esse não fala da imigração, mas é sempre bom ver a MAKE falar de algo oriental

Em conjunto com isso, anunciamos o vencedor do concurso OrientalizePRO. É a usuária Massatellix com a seguinte foto:

Oriental redlight district

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Começou!

Saturday, June 14th, 2008

foto por Renata Miyagusku

Estive hoje na Semana Cultural Brasil-Japão no Anhembi. Ao entrar há uma quebra sensorial por corredores coberto de pano branco e carpete, e depois um novo mundo se abre. Exposições de origamis[bb] inspirado em carnaval, stands da Hello Kitty, da Rádio Banzai, diversas pipas e pôsteres de anime estão logo de cara depois desse transporte.

Além disso, há o stand da NEC, a fabricante do robô misterioso, o Papero. Com o qual é possível interagir em horários específicos. Infelizmente em minha visita, por algum misterioso motivo apenas as crianças puderam brincar com o simpático robô. No caso ele falava e compreendia apenas japonês[bb], com alguns comandos e brincadeiras em portugues (incluindo “pedala robinho”). Mesmo assim, algo interessante não só pela tecnologia mas também pelas reações das crianças.

Do lado de fora, uma praça de alimentação composta de um único restaurante e uma lanchonete. Bastante confusos por sinal. Os ingredientes iam acabando conforme você esperava o seu pedido, e um sashimi[bb] de peixes variados acabou se tornando apenas salmão. Depois disso na lanchonete a queda de fases na energia inutilizou as máquinas de espresso.

Um tatame serviu de palco para uma inserção de Marcos Canuto para o SPTV e depois para uma apresentação de Kendo e Bodo. A qual era possivel assistir em pufes prateados em forma de nuvem. Ao final o público foi convidado a dar umas espadadas na cabeça dos bem protegidos praticantes dessa belíssima arte marcial. Além disso há uma casa de chá onde ocorre a cerimônia, mas não tive a oportunidade de testemunhar. Além do chá, perdi a apresentação de Taiko e a de Aikido, infelizmente. Mas em compensação a exposição de bonecas no mezanino é bastante impressionante.

O público estava na medida certa, muitas famílias, nenhum grupo de amigos barulhentos e um número bem equilibrado de pessoas. Além das atrações mencionadas há várias outras espalhadas em diversas salas e stands. Há que ter tempo para ver tudo.

O evento peca pela parca sinalização e a distância do estacionamento oficial, que com certeza ficará disputado quando a feria têxtil programada para essa semana começar. Há também o problema da bizarra trilha sonora escolhida para a área externa, que de japonesa não tem nada além de ser ruim de doer, melhor tomar uma espadada na cabeça.

Serviço:
Semana Cultural Brasil-Japão
Data: 14 a 22 de junho de 2008, de 9h às 21h
Local: Centro de Convenções do Anhembi e Auditório Elis Regina / São Paulo
Av. Olavo Fontoura, 1209
Entrada gratuita

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O Centenário é agora

Friday, June 13th, 2008

Para todos aqueles que ainda não conferiram nada da programação no Ano do Centenário[bb] a chance apoteótica é agora. Começa hoje, num evento contando com as ilustres presenças de Hello Kitty e Mônica, a Semana do Centenário.

A programação variadíssima conta com workshops, apresentações, shows, exposições e além. O ápice será no dia 21, com a presença do príncipe herdeiro do Japão, Naruhito.

Confiram todos os detalhes aqui e aqui. Apesar do site ser bem limpo e organizado, algumas informações específicas são difíceis de achar, eu por exemplo não achei nada sobre esses robôs que ilustram o site e se eles irão estar expostos em algum lugar.

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Inversão nipônica

Thursday, June 5th, 2008

No Japão, não é o ar condicionado[bb] que enfraquece o veículo, o veículo enfraquece o ar condicionado, vejam:

Pra quem não manja de inglês: “Este veículo é feito para enfraquecer um ar condicionado”. O que eles queriam dizer era: “O ar condicionado neste veículo não está forte.”

Um quase-exemplo de Engurish. Para um exemplo mais hardcore, veja aqui.

Via Kirai.

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Hello Kitty tenta fazer negócio da China

Monday, May 26th, 2008

A notícia já é velha, mas vale a pena mencionar pela curiosidade. Hello Kitty tornou-se a embaixadora japonesa do turismo na China e Hong Kong. Acumulando o cargo com o de embaixadora Estado-Unidense na UNICEF. Apesar de ser o primeiro personagem fictício a ter esse cargo no Japão, Doraemon já é o embaixador do Animê desde Março.

Daqui a pouco a Pucca [bb] vira embaixadora de turismo da Coréia do Norte.

(hello kitty acess%F3rios bolsas malas ) [bb]

Via G1 e New York Times.

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100 anos de mães japonesas no Brasil

Sunday, May 11th, 2008

Como Franklin Ruão, já fui tocado não só pela cultura, mas pelas incríveis pessoas de natureza japonesa que cruzaram minha vida. Algumas se fazem presentes, outras se perderam no passado, mas muitas deixaram sua marca. Aproveitando essa data comemorativa deixo aqui uma singela homenagem, que não consegue sequer arranhar a superfície da complexidade, a um grupo especial:


Quando pequeno tinha um vizinho que falava um português cheio de sotaque japonês, já que ele era de uma primeira geração de imigrantes no país[bb]. Que me lembre fui convidado à sua casa apenas uma vez, e não lembro nada de sua mãe. Severa? Doce? Passiva? Difícil saber qual desses estereótipos usados para descrever as mães japonesas possivelmente se encaixaria nela.

Desde então tive a oportunidade de cruzar com toda a sorte de mães e avós japonesas, considerando ai isseis, nisseis e sanseis. Algumas conheci pouco, outras muito bem. Entre elas há as que desconfiam de mim, as super simpáticas, as que me detestam e as que me tratam como um membro da família. Tal qual como qualquer mãe com que cruzei.

Mas o que torna as mães japonesas no Brasil diferente das demais? O mesmo que qualquer mãe imigrante ou filha de imigrantes: O choque cultural. Imagine o mundo como você o conhece deixado para trás e ter que se adaptar a um lugar novo, desconhecido onde sequer os outros falam sua língua; ou ter culturas completamente separadas dentro e fora de casa. Ao mesmo tempo ter que pensar em sua família, seu marido, filhos e como satisfazer as próprias aspirações.

O que passar adiante para os filhos? Valores da terra-mãe ou liberar geral? As mães da minha geração (leia-se mães de meus amigos) são de uma fase transitória. Muitas delas tinham que saber lidar com o aprendizado dentro e fora de casa, influências de mundos diferentes, o saudosismo e esperanças dos pais com relação a suas culturas e as novidades de um mundo em constante mudança.

Filhas que agora são mães, elas possuem dupla experiência em todos os quesitos. A questão da manutenção de valores me parece muito mais ligada ao momento histórico e idade do que posição na escala migratória estabelecida (isseis para nascidos no Japão, nisses para os seus filhos e sanseis para seus netos).

Entre as avós, sejam isseis ou nisseis, as que romperam barreiras e casaram-se com Gaijins contam-se nos dedos. Suas filhas já foram mais ousadas, algumas com o apoio da família, outras até mesmo cortando relações, tudo em nome do amor. Já as netas vivem uma outra realidade, a cultura japonesa está estabelecida aqui. Os valores passam adiante com olhos rasgados ou apenas levemente puxados.

Algumas dessas mães têm apenas nomes japoneses, e para facilitar a interação com o país adotaram nomes brasileiros sem registros oficiais. Depois os filhos passaram a ser batizados com nomes brasileiros e japoneses, e hoje, alguns carregam apenas nomes tupiniquins. Isso não é diluição, é integração.

Independente da forma que isso toma, o comportamento das mães japonesas tem a mesma raiz: Zelo. Um zelo por seus filhos e a esperança de que eles irão levar adiante o melhor que a terra-mãe tem a oferecer, algo que vai além do sangue nas veias e dos olhos puxados. A vontade de que seus descendentes não sejam apenas japoneses, coreanos, chineses ou brasileiros, mas que sejam como elas, pessoas incríveis.

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