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Orientalize » política

Ruth Corrêa Leite, pesquisadora da imigração

Wednesday, June 25th, 2008

Quem viu as imagens do príncipe Naruhito na Sala São Paulo ao lado de Ruth e Fernando Henrique Cardoso se engana quem pensa que Ruth era acompanhante do convidado Fernando Henrique. Muito pelo contrário.

Acessando o site da Fundação Japão sobre o Centenário da Imigração[bb], o primeiro livro listado como bibliografia básica é: “Estrutura familiar e mobilidade social: Estudo dos japoneses no Estado de São Paulo.” de autoria da ex-primeira dama.

Baseado na tese de doutorado de 1972 da ex-primeira dama, o livro trata da estrutura familiar dos imigrantes, como isso influenciou a ocupação do estado por eles e o desenvolvimento da noção de colônia. Essa tese cimentou Ruth como uma das pioneiras e referência na pesquisa sobre a imigração japonesa no Brasil.

Assim, foi Fernando Henrique[bb] que estava acompanhando a ilustre convidada na presença de sua alteza. Mais um ponto alto da carreira acadêmica de nossa falecida primeira dama. Saiba mais em uma entrevista com Ruth sobre no site do jornal Nippo-Brasil.

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Defenda o Tibete

Saturday, March 29th, 2008

Avaaz.orgEnquanto a questão do Tibete não é resolvida, é possível que nós tomemos uma atitude digitalassinando uma petição para Hu Jintao. A Avazz criou uma campanha de apelo ao presidente Chinês para que abra-se diálogos a respeito do Tibete o quanto antes.

A cartá é bem comedida e vai direto ao ponto. É uma causa justa, vale a pena apoiar. Reproduzo abaixo a petição na íntegra.

Petição para o Presidente Hu Jintao:

Nós cidadãos do mundo pedimos ao governo chinês que tenha cautela e respeito pelos direitos humanos em sua resposta aos protestos no Tibete. Esperamos que os assuntos que dizem respeito aos tibetanos sejam tratados por meio do diálogo com o Dalai Lama e não pelo uso da força. Somente o diálogo e uma reforma irão trazer uma estabilidade duradoura. O futuro promissor da China e sua relação positiva com o mundo dependem de um desenvolvimento harmonioso feito de diálogo e respeito.

Para assinar, siga aqui.

Dica via e-mail da Mi Cortielha.

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Olimpíadas em uma China (des)unida

Tuesday, March 25th, 2008

WikipediaAgora que as olimpíadas estão logo na esquina, o papo quente nada tem a ver com esporte, e sim política e religião. Ou seja, vamos pisar em ovos (centenários). Os protestos no Tibete e a violência associada a eles têm ganhado bastante destaque na mídia internacional (leia-se: fora da China) e sequer mencionar isso por aqui seria um ato de completa negação.

O Tibete na verdade verdadeira, teve muito pouco tempo como um estado plenamente independente, a região já foi capital de um império e depois trocou de mãos inúmeras vezes. O início da ocupação do Tibete pela China se deu antes mesmo da formação do governo comunista; durante os últimos suspiros da dinastia Qing.

Quando a República da China foi estabelecida, as tropas imperiais no território tibetano picaram a mula, abrindo caminho para a volta do 13º Dalai Lama. Até 1950 as relações entre os dois países eram complexas, com indianos e britânicos sempre metendo o bedelho e diferentes tratados sendo elaborados e nenhum tendo reconhecimento pleno por quaisquer das partes.

Para encurtar a história, a raiz do conflito atual está na ocupação plena do Tibete pelo Exército de Libertação Chinês em 1950 (que curiosamente chamava a missão de “libertar o Tibete”), durante a presença do décimo-terceiro, e atual, Dalai Lama. O pais estava auto-suficiente apenas desde 1913. A ocupação do território foi lenta, com o exército parando e tentando conquistar os corações dos tibetanos ensinando preceitos socialistas e dando dinheiro, e enviando ex-prisioneiros ao Dalai Lama para efetivar a libertação/rendição do Tibete.

O tratamento humanitário provido pelo ELC fez com que a ONU não se preocupasse com a questão. Nas palavras do próprio Dalai Lama:

“Os chineses foram muito disciplinados. Eles eram como os soldados britânicos (em 1904). Até melhores que os britânicos, porque eles distribuiam dinheiro (a aldeões e líderes locais). Assim eles cuidadosamente planejaram.”
Thomas Laird, The Story of Tibet: Conversations with the Dalai Lama, pp. 301-307

Pressionado, o governo tibetano acabou assinando um acordo que integrava o Tibete plenamente à República Popular da China em 1951. É preciso entender que o país tinha uma estrutura sócio-política muito particular, feudal eu diria, em que a maior parte da terra pertencia à monastérios e aristocratas, e presos a ela havia uma sub-classe de servos. O argumento do governo chinês era que essa era uma condição inaceitável que impedia o desenvolvimento da sociedade tibetana. Quando da ocupação pelo ELC houve promessas da China em manter os direitos dos aristocratas, mas na prática apenas a região de Lhasa teve esse privilégio. As outras províncias foram tratadas como qualquer outro território chinês, ou seja, redistribuição de terra na marra. Foi então que protestos começaram a ocorrer e a partir daí casos de violência, abusos, assassinatos e exílios (incluindo do próprio Dalai Lama, que fugiu para a Índia).

Mais da metade do território histórico do Tibete foi incorporado à outras províncias chinesas. O restante – que inclui Lhasa – é chamado pelo governo Chinês de “Região Autônoma do Tibete” e iguala essa região menor ao Tibete original.

Realisticamente falando, um retorno ao esquema feudal é impossível. O Dalai Lama disse em uma entrevista que “estamos dispostos a ser parte da República Popular Chinesa, para que ela governe e garanta a preservação de nossa cultura, espiritualidade e meio-ambiente Tibetanos.” (Spencer, Richard. Tibet ready to sacrifice sovereignty, says leader“, The Daily Telegraph, 2005-03-15.), uma declaração não necessariamente popular entre os tibetanos. Da mesma maneira que um retorno ao Maoismo (que conquistou o Tibete) é impossível.

O Dalai Lama chama o controle chinês de Massacre Cultural pois, apesar dos bilhões gastos em educação e infra-estrutura na região, a China também reprimiu a voz dos tibetanos e populou o Tibete com chineses de outras etnias, que curiosamente costumam se beneficiar mais das ações do governo chinês do que os próprios tibetanos. O drama do país é que seu povo se tornou estrangeiro em sua própria terra. Além da indignação gerada pela redistribuição de terra e outras reformas sociais, a China também tenta minar a autoridade religiosa do Governo Tibetano Exilado: Em 1989 o 10º Panchen Lama morreu inesperadamente, e mais inesperadamente ainda o 11º, então uma criança, desapareceu, seu paradeiro até hoje é desconhecido.

O núcleo da questão está na falta de liberdade individual na China como um todo. O Tibete está em destaque e é uma forma mais rápida de perceber isso (para aqueles que não eram vivos na época do Massacre na Praça da Paz Celestial.) Na China você é livre para ter, comer e trabalhar, não para falar.

Sendo um país de filosofia (teoricamente) comunista, a questão religiosa é delicada. Mas liberdade de expressão e de religião caminham juntas, enquanto a China não afrouxar o controle à informação dentro de seu território, o resto do mundo continuará metendo a boca.

A tocha com certeza passará pelo Tibete, nem que seja escoltada por fuzis. Mas essa imagem, nos jogos da confraternização, não pegará bem para a China, que já sofre muitas críticas não apenas pela falta de liberdade de expressão, mas também pela violência como tem tratado os protestos (OK, um reflexo) e também pelo crescimento desenfreado de sua industria, que causa danos enormes ao meio-ambiente e está criando um sério problema de distribuição de renda.

Desagregar o Tibete da China não é uma opção para o governo, não aos olhos deles. Isoladamente perder o território não seria um grande dano, mas a reação em cadeia custaria caro culturalmente, politicamente, econômicamente e militarmente. Poderia culminar na morte do Dragão. Uma solução realista para as Olimpíadas seria o governo chinês, em conjunto com oDalai Lama, estabelecer um tipo de meio-termo com o povo tibetano e clamar por um “armistício” nos protestos e discutir a questão após os jogos.

Protest Beijing 2008

Aprenda mais sobre o Tibete e a China na Wikipedia (em inglês):
Tibet
Tibet Autonomous Region

14º Dalai Lama
Panchen Lama


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